CUT e outras centrais sindicais defendem aprovação imediata da jornada de 40 horas sem redução salarial e ampliam mobilização no Congresso Nacional
Escrito por: Luiz R Cabral*
Roberto Parizzoti (Sapão)
“Nós estamos muito próximos de conquistar [o fim da 6x1] porque existe
uma vontade popular muito grande e uma pressão muito forte sobre o Congresso
Nacional”.
A declaração do presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, deu o tom do
Seminário Estadual da Câmara dos Deputados sobre o fim da escala 6x1 e a
redução da jornada de trabalho, realizado nesta quinta-feira (14), no Palácio
do Trabalhador, em São Paulo.
Promovido pelo programa “Câmara pelo Brasil”, o encontro debateu os
impactos da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que prevê a
redução da jornada semanal de 44 para 40 horas sem redução salarial. A
atividade reuniu trabalhadores, dirigentes sindicais, parlamentares, ministros
e representantes de movimentos sociais.
Embora não tenha participado da mesa principal do debate, Sérgio Nobre
reforçou a mobilização das centrais sindicais pela aprovação da proposta e
convocou trabalhadores a pressionarem os parlamentares.
“Quero aproveitar para pedir para as pessoas enviarem mensagem para o seu
deputado federal e seu senador, cobrando uma posição em defesa do fim da escala
6 por 1 e da redução da jornada”, afirmou.
As centrais sindicais pretendem intensificar a pressão em Brasília nos
dias 26 e 27 de maio, período previsto para votação da proposta na comissão
especial e no plenário da Câmara.
CUT rejeita redução gradual da jornada
Representando a CUT São Paulo, o presidente da entidade, Raimundo Suzart,
criticou propostas de implementação gradual da redução da jornada e cobrou
rapidez na tramitação da PEC no Congresso Nacional.
“Nós não queremos a redução da jornada escalonada e também não queremos
um prazo extremamente esticado para que seja implementada a redução da jornada
para 40 horas. Queremos a redução da jornada para já”, afirmou.
Segundo Raimundo, a medida deveria entrar em vigor em até 45 dias após a
aprovação da proposta.
Para as centrais sindicais, o fim da escala 6x1 representa um avanço nas
condições de vida da classe trabalhadora, especialmente em setores marcados por
jornadas exaustivas e longos deslocamentos diários.
Raimundo afirmou que a atual escala limita o acesso ao descanso, ao lazer
e até à qualificação profissional.
“Como um trabalhador vai se qualificar trabalhando numa escala 6x1 com
transporte público que gasta quase 4 horas para ir e voltar do trabalho? Não
sobra tempo”, disse.
Mulheres são as mais afetadas
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou que as mulheres estão
entre as mais prejudicadas pelas jornadas exaustivas de trabalho. Segundo ela,
além do emprego formal, muitas trabalhadoras enfrentam uma “terceira jornada”
ao chegarem em casa.
“Sobre a mulher recai a maior perda, porque além do trabalho formal, ela
ainda enfrenta uma terceira jornada dentro de casa”, afirmou.
Ao encerrar sua participação, a ministra defendeu igualdade
salarial e ambientes onde as mulheres possam “soltar a voz sem medo”.
Ministro rebate discurso patronal
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, criticou argumentos de
setores empresariais contrários à redução da jornada e ao fim da escala 6x1.
Segundo ele, ainda existe uma tentativa de associar a proposta ao aumento do
desemprego e da informalidade.
“Há ainda o tempo das trevas que vem com argumentos totalmente
desqualificados, tentando dizer ao trabalhador que isso pode gerar desemprego e
informalidade”, afirmou.
Marinho também defendeu que jornadas menos exaustivas melhoram a
produtividade e reduzem o adoecimento dos trabalhadores.
“Quando você cria um ambiente mais acolhedor, as pessoas produzem mais,
dão mais qualidade ao trabalho e as empresas conseguem reduzir faltas e
melhorar a produtividade”, disse.
Próximos passos
A mobilização deve continuar nas próximas semanas em diferentes estados,
incluindo Rio Grande do Sul e Maranhão.
*Com colaboração de André Accarini
Fonte:https://www.cut.org.br
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