Deputado afirma
que Selic a 14,25% mantém o Brasil na liderança mundial dos juros e prejudica
produção, emprego e trabalhadores
Gabriel Galípolo (menor destaque) e Lindbergh farias (Foto:
Fabio Pozzebom / Agência Brasil I Agência Câmara)
O deputado
Lindbergh Farias (PT-RJ) criticou duramente a política monetária conduzida pelo
Banco Central sob a presidência de Gabriel Galípolo, após o Comitê de Política
Monetária (Copom) reduzir a taxa Selic em apenas 0,25 ponto percentual, para
14,25% ao ano.
Em publicação
nas redes sociais, Lindbergh afirmou que, mesmo com a queda tímida anunciada
pelo Banco Central, o Brasil segue submetido a uma taxa de juros
“estratosférica” e passou a ocupar a liderança mundial dos juros. Segundo
levantamento citado pelo InfoMoney, o país manteve a maior taxa real de juros
do mundo após a decisão do Copom, com juro real de 9,67% em junho.
“Mesmo após
a queda tímida de 0,25%, a Selic segue no patamar estratosférico de 14,25% e o
Brasil assumiu a liderança mundial da taxa de juros”, escreveu Lindbergh.
A crítica
ocorre depois de o Copom decidir, por unanimidade, cortar a Selic de 14,50%
para 14,25% ao ano. Foi o terceiro corte consecutivo da taxa básica, mas o
patamar continua entre os mais altos do mundo e mantém forte pressão sobre
crédito, investimentos e atividade econômica.
Crítica à
política de juros
No texto,
Lindbergh afirmou que não há justificativa para o Brasil manter juros tão
elevados, especialmente em comparação com países submetidos a situações
extremas.
“Nada
justifica uma taxa maior até do que a de países em guerra, como a Rússia”,
declarou.
Para o
deputado, a manutenção da Selic em nível tão alto tem efeitos diretos sobre o
custo do crédito, a capacidade de investimento das empresas e a geração de
empregos. Ele afirmou que os juros atuais impõem obstáculos à economia
produtiva e beneficiam o rentismo.
“Juros
altos encarecem o crédito, impedem investimentos e prejudicam empresas e
trabalhadores”, disse Lindbergh.
Na avaliação
do parlamentar, a política monetária do Banco Central tem impacto fiscal
relevante, pois aumenta os gastos com a dívida pública e transfere recursos
para detentores de títulos financeiros.
“Ao impor
obstáculos a quem quer produzir, gerar empregos e movimentar a economia, o
Banco Central faz o Brasil gastar centenas de bilhões com a dívida pública,
fortalecendo o rentismo em vez de impulsionar o desenvolvimento”, afirmou.
“Escolha
política contra a produção e o emprego”
Lindbergh
também classificou a manutenção do Brasil no topo do ranking mundial de juros
como uma decisão política. Para ele, o Banco Central deveria priorizar os
interesses da economia real e da população, e não os interesses do mercado
financeiro.
“Manter o
Brasil no topo dos juros é uma escolha política contra a produção e o emprego”,
escreveu.
Em seguida, o
deputado elevou o tom contra a condução da política monetária e dirigiu a
crítica ao setor financeiro, simbolizado pela Faria Lima, centro do mercado
financeiro em São Paulo.
“O Banco
Central precisa parar de governar para a Faria Lima e começar a responder ao
povo brasileiro!”, afirmou Lindbergh.
A declaração
mira diretamente a orientação do Banco Central em um momento em que o governo
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca estimular o crescimento
econômico, ampliar investimentos e reduzir o custo do crédito para famílias e
empresas.
Selic segue
em patamar elevado
A decisão do
Copom foi anunciada em meio a um cenário de inflação ainda acima da meta e de
incertezas no ambiente internacional. O Banco Central afirmou, no comunicado da
reunião, que a condução da política monetária exige “serenidade e cautela” e
deixou em aberto os próximos passos.
Apesar do
corte, a Selic de 14,25% ao ano continua comprimindo a atividade econômica.
Juros elevados tornam mais caro o financiamento para consumidores e empresas,
encarecem empréstimos, reduzem o apetite por investimentos produtivos e ampliam
a remuneração dos investimentos financeiros atrelados à taxa básica.
Esse é o ponto
central da crítica de Lindbergh: para o parlamentar, a política monetária atual
preserva uma lógica favorável ao rentismo, em detrimento da produção, do
emprego e do desenvolvimento nacional.
Pressão
política sobre o Banco Central
A fala de
Lindbergh reforça a pressão de setores do campo progressista sobre o Banco
Central e sobre Gabriel Galípolo. Embora o corte da Selic tenha sido visto como
um movimento na direção esperada pelo governo, a redução de apenas 0,25 ponto
percentual foi considerada insuficiente por críticos da atual política
monetária.
O debate sobre
juros segue como um dos principais temas da economia brasileira. De um lado, o
Banco Central argumenta que precisa manter a política monetária restritiva para
assegurar a convergência da inflação à meta. De outro, parlamentares e
economistas críticos da austeridade monetária afirmam que a Selic em patamar
tão elevado trava o crescimento, penaliza trabalhadores e compromete a retomada
do investimento produtivo.
Para
Lindbergh, o Banco Central precisa mudar de prioridade.
“O Banco
Central precisa parar de governar para a Faria Lima e começar a responder ao
povo brasileiro!”
Fonte: https://www.brasil247.com