Em proposta de
delação, banqueiro afirma que dirigentes do União Brasil atuaram para levar
investimentos de institutos de previdência ao banco
O banqueiro
Daniel
Vorcaro afirmou, em uma proposta de delação premiada, que os
dirigentes do União Brasil
ACM Neto e
Antônio Rueda recebiam 10% dos valores investidos no
Banco Master por
institutos de previdência e outras instituições públicas.
Segundo
informações reveladas pelo UOL, os dois teriam atuado para abrir portas para o
Master no Rioprevidência, no Amapá e no Amazonas, além da Cedae, no Rio de
Janeiro. Vorcaro afirmou que os investimentos chegaram a cerca de R$ 2 bilhões
e que a comissão de 10% poderia gerar uma obrigação de R$ 200 milhões aos dois
políticos. O documento não informa quanto teria sido efetivamente pago.
As propostas
de delação de Vorcaro foram rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR), sob o argumento de
falta de informações inéditas e de garantias para a devolução de valores
relacionados às fraudes. O banqueiro tenta retomar as negociações.
Como seriam
os pagamentos
Segundo
Vorcaro, ACM Neto receberia por meio de dinheiro em espécie e contratos de
consultoria com empresas ligadas a ele. Para Rueda, os repasses ocorreriam em
espécie e por contratos com o escritório de advocacia Rueda & Rueda
Advogados, que somariam cerca de R$ 3 milhões por mês.
O banqueiro
apresentou mensagens trocadas com funcionários do Master e contratos
relacionados aos dois políticos. Ele também afirmou ter se reunido com ACM Neto
e Rueda para acompanhar o andamento de negócios e das chamadas
“contrapartidas”.
A proposta
ainda relata uma negociação envolvendo o Banco de Brasília (BRB). Segundo
Vorcaro, Rueda e o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, pediram que
ele ajudasse em um aumento de capital de cerca de R$ 1 bilhão.
Vorcaro afirma
que seu grupo investiu aproximadamente R$ 750 milhões no BRB. No mesmo período,
segundo ele, o banco comprou cerca de R$ 6 bilhões em carteiras do Master.
Rueda e Paulo Henrique Costa teriam pedido 10% de comissão sobre os valores
desembolsados pelo BRB para comprar ativos do Master.
O que já
aparece nas investigações
A quebra de
sigilo do Master já havia identificado contratos de consultoria com empresas
ligadas a ACM Neto e contratos de advocacia com. Segundo Vorcaro, esses
documentos serviriam para justificar parte dos pagamentos.
Investigações
também apontaram relações entre o União Brasil e fundos de previdência que
investiram no Master. O Rioprevidência aplicou R$ 2,97 bilhões entre 2023 e
2025; o fundo do Amapá, R$ 400 milhões; a Cedae, R$ 200 milhões; e o
Amazonprev, R$ 50 milhões.
A proposta de
delação, porém, não detalha quanto cada instituição teria investido nem
apresenta um ato concreto de ACM Neto ou Rueda para viabilizar os aportes.
Dados
bancários e relatórios do Coaf apontam que escritórios ligados a Rueda
receberam R$ 6,4 milhões do Master entre 2022 e 2025. Uma empresa de
consultoria de ACM Neto recebeu R$ 5,4 milhões entre 2023 e 2025.
Outro lado
Antônio Rueda
afirmou que não teve acesso ao documento e negou irregularidades. Segundo ele,
os contratos firmados pelo escritório com instituições ligadas ao caso são
lícitos e os serviços foram efetivamente prestados.
ACM Neto
classificou as acusações como “absurdas, completamente fantasiosas e
mentirosas”. Ele afirmou que a proposta não foi aceita, assinada ou homologada
e questionou a origem e a autenticidade dos trechos divulgados.
Os dois também
afirmaram que, no período citado, não exerciam cargos públicos e negaram
qualquer atuação ilícita em benefício do Banco Master.
Fonte: https://iclnoticias.com.br