Fila do INSS deve ser zerada até setembro com reforço em análises, bônus a servidores e prioridade à gestão dos benefícios previdenciários
O governo Lula (PT) prevê zerar até o fim de setembro deste ano a fila do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) formada por pedidos de benefícios que aguardam análise há mais de 45 dias, em uma medida voltada a acelerar respostas aos segurados e reduzir o represamento acumulado no órgão, informa a Folha de São Paulo.
A meta do
Executivo é eliminar o estoque de requerimentos atrasados e manter apenas o
fluxo regular de pedidos que entram mensalmente no sistema, dentro do prazo de
análise previsto. A redução da fila passou a ser tratada como prioridade
administrativa diante do aumento expressivo dos pedidos acumulados no início do
ano.
Ao fim de
maio, a fila total do INSS somava 2,2 milhões de pedidos. Desse volume, 926 mil
estavam dentro do prazo regular de 45 dias para avaliação. Outros 500 mil
dependiam de informações complementares dos próprios segurados. Os
requerimentos efetivamente atrasados chegavam a 765 mil, grupo que o governo
considera como o estoque a ser zerado nos próximos meses.
Em janeiro, o
cenário era mais grave. A fila total havia alcançado 3,1 milhões de segurados,
dos quais 1,9 milhão aguardavam resposta havia mais de 45 dias. Desde então, o
estoque de pedidos atrasados vem caindo a uma média de 280 mil solicitações por
mês. Mantido esse ritmo, a expectativa do governo é eliminar o represamento até
o fim de setembro.
A redução da
fila ganhou centralidade no governo depois que o volume de pedidos acumulados
passou a renovar recordes mês a mês. O avanço do estoque acendeu alerta no
Executivo, sobretudo porque Lula assumiu o terceiro mandato com críticas à
situação herdada na Previdência e com a promessa de melhorar o atendimento aos
segurados.
Em abril, Lula
decidiu demitir o então presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior. Ele havia
assumido o órgão no fim de abril de 2025, após a deflagração da Operação Sem
Desconto, que investiga fraudes em descontos associativos aplicados a
aposentadorias e pensões.
Com o
encerramento da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) sobre o esquema,
no fim de março, o governo avaliou que era o momento de reorganizar a gestão do
instituto e concentrar esforços na redução da fila. A nova presidente do INSS,
Ana Cristina Viana Silveira, servidora da carreira de analista do seguro
social, assumiu com a missão de acelerar a análise dos requerimentos.
Após a troca
de comando, o governo reforçou os recursos destinados ao pagamento de bônus
para servidores do INSS e da perícia médica. A remuneração adicional é paga a
cada análise extra realizada, mecanismo que tem contribuído para ampliar o
ritmo das concessões de benefícios e reduzir o estoque de pedidos pendentes.
Em entrevista
coletiva realizada em maio, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno
Moretti, afirmou que o governo reservará R$ 300 milhões para o pagamento do
bônus até o fim deste ano. A medida integra o esforço para ampliar a capacidade
de atendimento do INSS e dar vazão aos pedidos acumulados.
Com a
aceleração das análises, as concessões de benefícios também cresceram. Em
março, o INSS aprovou 886 mil novos benefícios, alta de 54% em relação ao mesmo
mês de 2025. Em abril, foram concedidos mais 739 mil benefícios, aumento de
5,7% na mesma base de comparação.
A ampliação
das concessões, no entanto, também tem impacto sobre o Orçamento. Em maio, a
equipe econômica anunciou um bloqueio de R$ 22,1 bilhões em despesas de custeio
e investimentos para compensar a previsão de aumento nos gastos com a
Previdência Social e com o BPC (Benefício de Prestação Continuada), pago a
idosos e pessoas com deficiência de baixa renda.
O bloqueio
atingiu ministérios como Defesa, Cidades e Educação, além de travar R$ 4,6
bilhões em emendas parlamentares. O movimento reflete a tentativa do governo de
conciliar a redução da fila do INSS com o cumprimento das metas fiscais e o
controle das despesas obrigatórias.
Fonte: https://www.brasil247.com
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