O Governo
Federal enviou ao Congresso Nacional a proposta de Orçamento para 2027
anunciando um cenário de superávit e reafirmando compromissos com o controle
das contas públicas. Para alcançar esse resultado, entretanto, a proposta
mantém regras de contenção dos gastos, condiciona a política salarial do
funcionalismo e prevê aumento dos recursos destinados às emendas parlamentares.
Para os
servidores públicos, que há anos enfrentam perdas salariais acumuladas e
dificuldades para recuperar o poder de compra, esse cenário merece atenção e
mobilização. Não podemos aceitar que o equilíbrio das contas públicas seja
construído, mais uma vez, às custas dos trabalhadores e daqueles que mantêm os
serviços públicos funcionando diariamente.
O discurso de
responsabilidade fiscal não pode servir como justificativa permanente para
limitar reajustes, impedir a recomposição das perdas inflacionárias e postergar
a valorização dos servidores.
Também chama
atenção o aumento dos recursos destinados às emendas parlamentares. Recursos
públicos precisam atender às necessidades da população e garantir direitos, e
não transformar o orçamento em instrumento de negociação política.
A proposta que
chega ao Congresso ainda será debatida, modificada e votada. É justamente nesse
espaço que a mobilização dos trabalhadores precisa estar presente. O orçamento
não é apenas uma peça técnica: ele expressa escolhas políticas e define quem
será beneficiado e quem continuará pagando a conta.
Por isso, o
movimento sindical precisa acompanhar de perto a tramitação do Orçamento de
2027, pressionar deputados e senadores e apresentar propostas que garantam a
recomposição das perdas salariais, a valorização das carreiras e o
fortalecimento do serviço público. Não podemos deixar que as decisões sobre o
futuro dos trabalhadores sejam tomadas sem a participação daqueles que serão
diretamente afetados.
Para o
presidente do Sindsep/MA, João Carlos Lima Martins, mais do que acompanhar a
votação, é necessário construir força política. “Nas eleições, será fundamental
eleger uma bancada comprometida com os trabalhadores, com o serviço público e
com a defesa dos direitos sociais. Precisamos ampliar a representação de
parlamentares que tenham compromisso com a valorização dos servidores e estejam
dispostos a enfrentar a lógica de ajuste que coloca os trabalhadores sempre
como variável de contenção das despesas”, afirmou o presidente João Carlos.
O orçamento
é uma disputa de prioridades. E os trabalhadores precisam estar organizados
para disputar essas prioridades. A defesa da recomposição salarial, da
valorização do servidor e de um serviço público forte passa pela mobilização
sindical, pela pressão sobre o Congresso e também pela construção de uma
representação política verdadeiramente comprometida com os interesses da classe
trabalhadora.
Nenhum
direito se conquista sem luta, e nenhum orçamento será justo se os
trabalhadores não tiverem força para disputar seus rumos.
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