Esse nosso Congresso nos prega cada uma. A peça da vez é o deputado Edmar Moreira (DEM/MG), acusado além de outras coisas, de não declarar ao TSE a propriedade de um verdadeiro castelo em Minas Gerais. Existem denúncias também de funcionamento de um cassino clandestino no local. Esse cidadão também é acusado de apropriar-se do INSS descontado de seus empregados e não repassados à previdência. Com todo esse histórico, ainda foi eleito deputado federal por Minas Gerais, e escolhido Corregedor da Câmara dos deputados. Imaginem essa; alguém com esse perfil acusando outros deputados de falta de decoro. Parabéns à imprensa brasileira que investigou e não deixou isso acontecer. Com as denúncias feitas pela imprensa, o deputado Edmar foi “obrigado” a renunciar ao cargo de corregedor.
Me causa muita estranheza o fato de nem um deputado ter feito pelo menos uma pesquisa sobre o histórico de Moreira. Afinal, o cargo para o qual ele foi eleito é um dos mais importantes da casa. No mínimo, quem o indicou para concorrer ao posto deveria responder este questionamento.
Mas, como já vimos em outras oportunidades, provalmente alguem já deve estar esquentando o forno. Não, não é para assar a batata do deputado. É muito mais provável que saia uma bela pizza. É esperar para ver.
José Sarney mostrou poder de articulação e deu um banho em todos. O velho oligarca mostrou ao governo e a oposição que realmente é o político mais influente do país. Conseguiu unir a base do governo – sem o PT – em torno de seu nome, e ainda conseguiu cooptar o DEM, e alguns senadores do PSDB.É verdade que isso só foi possível por falta de humildade e o excesso de personalismo muito freqüentes dentro do PT.
Isso tudo ainda pode ficar bem pior; da forma como Tião Viana foi derrotado, apesar de todo o apoio dado por setores do governo que trabalharam intensamente para ajudar Viana, o novo presidente do Senado ainda pode exigir independência nas ações. Ninguém pode negar que alguns ministros trabalharam abertamente contra Sarney, quebrando assim o acordo de neutralidade na disputa anunciada pelo governo.
Uma coisa também é certa, com mais essa vitória, o mais antigo oligarca do país mostra a todos que pensavam que ele estivesse morto, que ele está mais vivo do que nunca e torna-se agora um dos homens mais influentes da república.
Ou seja, com a vitória no Senado, Sarney deu um banho em todos e mostrou que para Lula fazer seu sucessor terá que barganhar muito com ele. Principalmente pelo histórico do novo presidente do Senado de só entrar em briga ganha, dificilmente Sarney apoiará a candidatura de um petista a presidência se este não estiver amplas condições de vitória no pleito. Nisso ele nunca mudou, e não será desta vez que o fará.
No Maranhão isso deve repercutir bastante. Com certeza, a vitória de Sarney caiu como um balde de água fria na cabeça dos tucanos maranhenses que já estavam contando com a tomada do palácio dos Leões em 2010. Se com essa demonstração de força do velho oligarca os correligionários conseguirem estancar a cooptação dos aliados da família Sarney, o quadro político em 2010 poderá trazer muitas surpresas. A esquerda maranhense precisa tirar proveito desse novo cenário de equilíbrio entre as oligarquias e fortalecer a união dos partidos progressistas e populares no estado. Flavio Dino seria um grande nome para comandar esta luta.
O Fórum Mundial Social deste ano tem uma característica marcante; acontece no momento em que uma das maiores crises de credibilidade assola o mundo.É importante discutir o que causou tamanho desastre na economia de tantos paises. O modelo econômico vigente possibilitou a criação de um verdadeiro cassino, no qual alguns “iluminados” jogam com o futuro de empresários e empregados de uma forma completamente irresponsável. E agora os principais envolvidos querem jogar a conta para os trabalhadores.
Os participantes do fórum precisam encontrar uma saída para os problemas que atingem os paises que finalmente estavam começando a ter um desenvolvimento sustentável e com o principio da justiça social.
Os movimentos sociais e sindicais não podem perder esta oportunidade de pressionar os governos a praticar uma política que possa valorizar os trabalhadores e melhorar a distribuição de renda. Para isso não pode-se perder de vista que é necessário a união de todos os paises que sofrem com o poder imperialista dos paises desenvolvidos. Afinal, foram exatamente estes que desencadearam este que já é considerado o pior momento econômico dos últimos setenta anos.
Neste momento é preciso atitudes urgentes e seguras para responder aos efeitos do enfraquecimento do Estado, com as privatizações, desmontes do patrimônio público e a desregulamentação dos mercados.
É necessário reforçar o sentimento por reformas que os recentes governos progressistas têm implantado principalmente na América do Sul, com ações que valorizam a distribuição de renda, a valorização do trabalho, afastando de uma vez a possibilidade de um mercado dominado pela ALCA da forma como queriam os defensores do imperialismo americano.
A esquerda da América Latina dá mais uma mostra de que vem fazendo as reformas necessárias para diminuir as diferenças sociais ainda existentes na região. Desta vez foi o povo boliviano que ao contrário do que dizia a grande mídia, apoiou as recentes mudanças na constituição da Bolívia, permitindo assim, que o atual presidente possa concorrer a outro mandato. Com o referendo, ficou provado que a maioria do povo boliviano, especialmente os mais pobres aprovam quase que integralmente o governo Evo Moralez. Viva a reformas sociais e políticas que estão ocorrendo na América do Latina.
Mais uma vez Zé Sarney mostra toda a sua capacidade de manter-se no centro das negociações políticas do país. Para viabilizar-se como o novo presidente do senado, ele corre em todas as direções; busca apoio entre os partidos que apóiam o governo, e ainda corre atrás do PSDB e DEM, oposicionistas ferrenhos do governo LULA. O PT precisa fechar em torno do Senador Tião Viana para o governo não correr o risco de mais uma vez ficar nas mãos do camaleão Zé Sarney. Entre os métodos utilizados pelo senador Sarney para conseguir seu intento, está a promessa de cargos. O mais estranho em tudo isso, é que os cargos pertencem ao governo (PT). São os bastidores estranhos de uma luta inescrupulosa pelo poder. O governo está perdendo uma grande chance de livrar-se de uma vez desse camaleão