As denúncias do
aumento desenfreado de mortes na UTI do Hospital da Criança em São Luís, além
de ser um pesadelo para os pais e familiares que buscam a cura para seus filhos
nas unidades de saúde pública e infelizmente recebem suas crianças sem vida,
esse desastre chama atenção para a necessidade de uma reflexão profunda sobre a
forma de administração da rede de saúde pública.
Saúde não é mercadoria
e não pode ser tratada como tal, o Brasil tem o maior e mais complexo sistema
integrado de saúde pública do mundo (SUS) e precisa que ele seja fortalecido
através de concursos públicos e um orçamento que garanta a construção,
manutenção e operacionalização de toda a rede, evitando ou até mesmo proibindo
a terceirização da gestão, que na realidade é uma privatização de ações que não
deveriam e não podem de forma alguma estar atreladas a aferição de lucros.
Quando uma
empresa privada administra um hospital público, o faz com uma visão
mercantilista e acaba por retirar as redundâncias necessárias para garantir a
segurança e sucesso nos tratamentos, tudo em nome do enxugamento das despesas e
claro maior lucro.
No caso
especifico do Hospital da Criança, chama a tenção exatamente que as ocorrências
começam a aumentar quando da troca de administração, quando segundo a denúncia encaminhada
ao MP-MA, o Instituto Brasileiro de Serviços Médicos (IBMED), que venceu a
licitação teria reduzido drasticamente o número de médicos da equipe, assim
como os recursos destinados ao custeio das UTIs.
Segundo
reportagem do G1, funcionários e pais afirmam nas denúncias haver erros de
procedimento, falta de medicamentos, imperícias por parte dessa equipe de
profissionais do IBMED e acusam a administração até mesmo de negligencia e
descaso com os pacientes e seus familiares.
Ainda segundo
a denúncia, em 2025, 113 crianças teriam morrido no hospital. Desse total, 101
mortes aconteceram dentro das três UTIs do Hospital da Criança. O aumento seria
de 159% em relação a 2024, quando foram registrados 39 óbitos. Esses números
são impactantes e precisam de uma investigação criteriosa para além de punir os
culpados, melhorar a gestão dos hospitais e impedir que mais desastres como
esse aconteçam.
Por meio de nota, a Prefeitura
de São Luís informou que não houve aumento no número de óbitos no
Hospital da Criança, mas apenas uma variação de 4,5% entre 2024 e 2025,
passando de 112 para 117 mortes.
A gestão municipal também
assegurou que o quadro de profissionais das UTIs cumpre integralmente as
exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Além disso,
destacou que não há registros oficiais de desabastecimento generalizado de insumos
e que o fluxo de materiais hospitalares segue um planejamento contínuo.
O blog é solidário aos
familiares das vítimas e aguarda o desfecho das investigações, e se houver
culpados, que sejam punidos exemplarmente.
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