O centro de São Paulo ganhou, neste sábado (22), um novo espaço de alimentação que une gastronomia, agricultura familiar e debate sobre a reforma agrária. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) inaugurou o Restaurante da Reforma Agrária Popular, instalado no Armazém do Campo, em Campos Elíseos. A partir desta segunda-feira (24), o restaurante passa a funcionar de segunda a sábado, das 12h às 15h, oferecendo opções de buffet e à la carte.
A proposta vai
além de servir refeições. O restaurante nasce com a ideia de aproximar quem
vive na cidade dos alimentos produzidos por agricultores familiares e
assentados da reforma agrária. Parte dos produtos comercializados pelo próprio
Armazém do Campo agora chega diretamente ao prato dos clientes, incluindo
alimentos orgânicos e agroecológicos.
O cardápio será uma das principais atrações. Inspirado na diversidade culinária das cinco regiões brasileiras, o menu deverá ser renovado mensalmente e recuperar sabores presentes nas feiras nacionais da reforma agrária promovidas pelo MST. Entre os pratos previstos estão receitas tradicionais de diferentes territórios, como o baião de dois, representante da culinária nordestina. Na inauguração, o destaque foi o arroz carreteiro, tradicional do Rio Grande do Sul.
Além dos pratos
regionais, o buffet terá uma proposta mais próxima da alimentação cotidiana,
com arroz, feijão, carnes, opções vegetarianas e saladas. Os vegetais
utilizados nas preparações serão adquiridos da produção comercializada pelo
Armazém, fortalecendo a ligação entre o que está nas prateleiras e o que chega
à mesa.
O novo
restaurante também faz parte das comemorações dos dez anos do Armazém do Campo
em São Paulo. Criado após a 1ª Feira Nacional da Reforma Agrária, realizada em
2015, o espaço atualmente reúne cerca de 1,5 mil produtos de aproximadamente
700 produtores rurais. A rede do Armazém já conta com 19 unidades em 11 estados
brasileiros.
Para o MST, a
iniciativa representa uma nova forma de diálogo com a população urbana. A
intenção é apresentar, por meio da alimentação, a diversidade da produção da
agricultura familiar e os resultados alcançados por comunidades da reforma
agrária. O restaurante também pretende ser um espaço de convivência, cultura e
troca de experiências entre campo e cidade.
O funcionamento
inicial contará com duas cozinheiras e duas auxiliares de cozinha, com
refeições individuais e cobrança por quilo. A equipe afirma que busca manter os
preços próximos aos praticados por outros restaurantes da região, mesmo diante
dos custos de produtos orgânicos e agroecológicos. Durante o primeiro mês, os
clientes também poderão participar de uma pesquisa de opinião que ajudará a
avaliar pratos, atendimento e estrutura.
Mais do que uma
nova opção para o almoço, o Restaurante da Reforma Agrária Popular chega a São
Paulo como uma experiência que conecta comida, território e produção rural. Ao
transformar alimentos da agricultura familiar em refeições, o espaço propõe que
o público conheça a reforma agrária também pelo sabor — e descubra, à mesa, a
diversidade de alimentos e culturas que atravessa o país.
O Restaurante
da Reforma Agrária Popular fica na Alameda Nothmann, 806, em Campos Elíseos,
região central de São Paulo.
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