Crescimento anual do setor atinge 24 estados, mas juros altos e endividamento ainda limitam recuperação ampla
O volume de vendas do varejo brasileiro registrou um crescimento de 4,7% no mês de julho em comparação ao mesmo período de 2025. Na margem mensal, o setor apresentou um avanço de 0,9% na comparação com junho, segundo dados do indicador da empresa de meios de pagamento StoneCo divulgados nesta segunda-feira (17), informa a Reuters.
O desempenho
do mês mostrou reação em grande parte do setor. No confronto mensal, cinco dos
oito segmentos pesquisados pela empresa registraram expansão no volume de
vendas em julho. O destaque positivo ficou com a categoria de Artigos
Farmacêuticos, que liderou as altas do mês com uma evolução de 2,5%.
Na avaliação
interanual — comparando julho deste ano com o mesmo mês de 2025 —, o ritmo de
recuperação se mostrou ainda mais abrangente, com taxas positivas em sete dos
oito setores analisados. A maior alta foi contabilizada pelo segmento de
Combustíveis e Lubrificantes, que disparou 9,1%. Em contrapartida, o setor de
Tecidos, vestuário e calçados figurou como a única retração do período,
acumulando uma queda de 5,6%.
Geograficamente,
a expansão do consumo espalhou-se por quase todo o território nacional. Dos 27
entes federativos, 24 estados registraram crescimento nas vendas na comparação
anual. O Estado de Roraima liderou o ranking nacional com um avanço de 18,2%. Entre
as macro-regiões do país, o Norte despontou com o melhor desempenho relativo ao
alcançar uma alta de 6,6%.
De acordo com
Guilherme Freitas, economista e pesquisador da StoneCo, os números consolidam a
trajetória de recuperação do setor comercial iniciada em junho, embora o
ambiente macroeconômico ainda imponha entraves relevantes para o consumo das
famílias.
“O mercado de
trabalho continua sendo o principal sustentáculo do consumo, com desemprego
baixo, renda em nível elevado e crescimento do rendimento real. Por outro lado,
o elevado comprometimento da renda das famílias e o custo ainda alto do crédito
segue limitando uma recuperação mais disseminada, especialmente nos segmentos
mais dependentes de financiamento”, explicou Freitas.
O economista
ressaltou ainda que, embora o ciclo de flexibilização monetária e redução das
taxas de juros tenda a aliviar as condições financeiras do país, os reflexos
positivos no comércio não ocorrem de forma imediata. Segundo Freitas, os
efeitos da queda dos juros ainda devem levar algum tempo para se refletir de
maneira mais ampla e consistente na atividade econômica geral.
Fonte:https://www.brasil247.com/
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