quinta-feira, 23 de julho de 2026

Traição e política em um MARanhão de lama

 


As eleições esse ano no Maranhão mostram uma pequena fotografia que explica porque a população brasileira começa a aumentar os questionamentos sobre os políticos ditos “profissionais”. Traições, interesses pessoais colocados acima dos acordos políticos e das necessidades coletivas da sociedade.

Fazer política é o processo de organizar a convivência em sociedade, mediar conflitos e tomar decisões coletivas. Vai muito além das eleições ou de cargos públicos; envolve debater ideias, definir regras de convivência e gerir recursos para garantir o bem comum. Para tanto, depende basicamente é necessário confiança entre os atores envolvidos para costurar as negociações e acordos que envolvem a criação e ou manutenção de grupos políticos que tenham algum tipo de alinhamento ideológico ou pragmático.

Os últimos movimentos dos grandes caciques políticos no Maranhão, e mais especificamente do governador Carlos Brandão (sem partido), desencadearam uma série de ajustes entre partidos, e lideranças politicas que modificaram completamente a base de apoio do próprio governador, e por conseguinte da base do presidente LULA no estado.

Brandão já havia rompido o acordo com o PT – que seria o vice governador Felipe Camarão o candidato ao governo e que o apoiaria – quando resolveu ficar até o fim do mandato e indicar o seu sobrinho, Orleans(MDB) para ser seu sucessor, agora, aproximando se a data da Convenção, insinuou que a vaga de candidato ao senado prometida ao ex-ministro FUFUCA(PP) seria na realidade dada ao deputado Pedro Lucas(União Brasil), o que levou o ex-ministro de LULA a abandonar o grupo do governador e se alinhar ao ex-prefeito Eduardo Braide(PSD).

Para complicar a situação, depois de tudo praticamente alinhado, entra em cena a ex-governadora Roseana(MDB), munida de algumas pesquisas que a favorecem para reivindicar a vaga ao senado na chapa de Orleans. Se foi um blefe para garantir a vaga de 1° suplente de Pedro Lucas ao seu irmão, empresário Fernando Sarney, e o compromisso de eleger a filha dele Maria Fernanda à assembleia Legislativa, não deu certo. Pai de Pedro Lucas, o prefeito de Arame entrou imediatamente no circuito e pagou para ver: retirou o a pré-candidatura de Pedro Lucas ao senado e anunciou que o deputado irá mesmo tentar a reeleição à câmara federal.

Com todos esses imbróglios, a data da convenção se aproxima – 25 de julho – sem que a chapa sequer tenha seus nomes definidos. O que sobra de tudo isso é a desconfiança entre as próprias lideranças políticas e a percepção pela sociedade que o que importa mesmo para essa gente são seus interesses pessoais e financeiros, sem qualquer compromisso com o povo. Afinal, se eles não cumprem os acordos com seus pares, imaginem com a população.

Outra demonstração clara de deformação da política está presente na construção da candidatura de Felipe Camarão. Mesmo com a quebra de acordo e sem o apoio do governador Brandão, mas com apoio de praticamente todos os diretórios municipais, o petista Felipe Camarão manteve o planejamento anterior e reafirmou sua pré-candidatura ao governo do estado com a anuência e orientação do diretório nacional do partido. Entretanto, os petistas com cargo no governo e controle do diretório estadual, bateram o pé e para garantir a manutenção dos seus cargos e dos seus familiares, se mantiveram, mesmo que oficialmente fora do governo, trabalhando pela candidatura do sobrinho do governador. Novamente os interesses pessoais atropelando a construção coletiva.

Infelizmente com todo esse desgaste da classe política, quem acaba sofrendo as consequências é a sociedade, que depende das políticas públicas que são criadas e executadas por políticos sem qualquer compromisso coletivo.

 

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