As eleições
esse ano no Maranhão mostram uma pequena fotografia que explica porque a
população brasileira começa a aumentar os questionamentos sobre os políticos ditos
“profissionais”. Traições, interesses pessoais colocados acima dos acordos políticos
e das necessidades coletivas da sociedade.
Fazer política
é o processo de organizar a convivência em sociedade, mediar conflitos e tomar
decisões coletivas. Vai muito além das eleições ou de cargos públicos; envolve
debater ideias, definir regras de convivência e gerir recursos para garantir o
bem comum. Para tanto, depende basicamente é necessário confiança entre os
atores envolvidos para costurar as negociações e acordos que envolvem a criação
e ou manutenção de grupos políticos que tenham algum tipo de alinhamento ideológico
ou pragmático.
Os últimos
movimentos dos grandes caciques políticos no Maranhão, e mais especificamente
do governador Carlos Brandão (sem partido), desencadearam uma série de ajustes
entre partidos, e lideranças politicas que modificaram completamente a base de
apoio do próprio governador, e por conseguinte da base do presidente LULA no
estado.
Brandão já
havia rompido o acordo com o PT – que seria o vice governador Felipe Camarão o candidato
ao governo e que o apoiaria – quando resolveu ficar até o fim do mandato e
indicar o seu sobrinho, Orleans(MDB) para ser seu sucessor, agora, aproximando
se a data da Convenção, insinuou que a vaga de candidato ao senado prometida ao
ex-ministro FUFUCA(PP) seria na realidade dada ao deputado Pedro Lucas(União
Brasil), o que levou o ex-ministro de LULA a abandonar o grupo do governador e
se alinhar ao ex-prefeito Eduardo Braide(PSD).
Para complicar
a situação, depois de tudo praticamente alinhado, entra em cena a
ex-governadora Roseana(MDB), munida de algumas pesquisas que a favorecem para
reivindicar a vaga ao senado na chapa de Orleans. Se foi um blefe para garantir
a vaga de 1° suplente de Pedro Lucas ao seu irmão, empresário Fernando Sarney,
e o compromisso de eleger a filha dele Maria Fernanda à assembleia Legislativa,
não deu certo. Pai de Pedro Lucas, o prefeito de Arame entrou imediatamente no
circuito e pagou para ver: retirou o a pré-candidatura de Pedro Lucas ao senado
e anunciou que o deputado irá mesmo tentar a reeleição à câmara federal.
Com todos
esses imbróglios, a data da convenção se aproxima – 25 de julho – sem que a
chapa sequer tenha seus nomes definidos. O que sobra de tudo isso é a
desconfiança entre as próprias lideranças políticas e a percepção pela
sociedade que o que importa mesmo para essa gente são seus interesses pessoais
e financeiros, sem qualquer compromisso com o povo. Afinal, se eles não cumprem
os acordos com seus pares, imaginem com a população.
Outra
demonstração clara de deformação da política está presente na construção da
candidatura de Felipe Camarão. Mesmo com a quebra de acordo e sem o apoio do
governador Brandão, mas com apoio de praticamente todos os diretórios
municipais, o petista Felipe Camarão manteve o planejamento anterior e reafirmou
sua pré-candidatura ao governo do estado com a anuência e orientação do
diretório nacional do partido. Entretanto, os petistas com cargo no governo e
controle do diretório estadual, bateram o pé e para garantir a manutenção dos
seus cargos e dos seus familiares, se mantiveram, mesmo que oficialmente fora
do governo, trabalhando pela candidatura do sobrinho do governador. Novamente
os interesses pessoais atropelando a construção coletiva.
Infelizmente
com todo esse desgaste da classe política, quem acaba sofrendo as consequências
é a sociedade, que depende das políticas públicas que são criadas e executadas
por políticos sem qualquer compromisso coletivo.
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