Após 20 anos de luta trabalhadores do SUS conquistam
novas diretrizes para carreira
Homologada pelo ministro da Saúde a Resolução nº 799/2026
estabelece uma base nacional para reorganizar a carreira dos trabalhadores e
trabalhadoras da saúde pública em todo o país
Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil- Arquivo
Os
trabalhadores e trabalhadoras da saúde pública do país conquistaram, após 20
anos de luta, novas diretrizes para suas carreiras que envolvem concurso
público, regras de promoção, qualificação profissional, jornada de trabalho,
entre outras mudanças com a homologação da Resolução nº 799/2026 feita pelo ministro da
Saúde, Alexandre Padilha, e publicada no Diário Oficial da União (D.O.U).
Na prática, o
documento cria as diretrizes para a “Carreira Única Interfederativa do
SUS”, que estabelece uma base nacional para reorganizar a carreira dos
trabalhadores da União, estados e municípios. O documento
foi aprovado pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS), e surgiu a partir de
negociações da Mesa Nacional de Negociação Permanente do SUS, após debates
realizados em conferências nacionais de saúde e gestão do trabalho.
O
Secretário-Geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade
Social da CUT (CNTSS/CUT) e Conselheiro de Saúde, Mauri Bezerra, ressalta que a
homologação da Resolução é um passo estratégico para o fortalecimento do SUS
como política de Estado, e mais do que uma pauta corporativa, a Carreira Única
do SUS se afirma como instrumento estruturante para garantir estabilidade nas
relações de trabalho, reduzir desigualdades regionais, fortalecer a
continuidade das políticas públicas e assegurar maior qualidade, equidade e
universalidade no atendimento à população brasileira.
“Essa
conquista foi fruto de mais de duas décadas de debates, mobilização social e
construção coletiva entre gestores, trabalhadores, entidades sindicais e
controle social, a resolução consolida diretrizes fundamentais como o ingresso
prioritário por concurso público, a educação permanente, a valorização
profissional, a desprecarização dos vínculos, a fixação da força de trabalho
nas regiões mais vulneráveis e o financiamento tripartite com transparência e
controle social”, disse o dirigente.
Concurso
público
Apesar desse
importante passo para os trabalhadores e trabalhadoras da saúde pública, a
Resolução não atende a todas as reivindicações da categoria porque não coloca
como obrigatória a contratação via concurso público e sim, como prioritária.
“A contratação
é prioritariamente através do concurso público. Poderia ser obrigatória. É
o que a gente queria, uma carreira única do SUS com regime único de trabalho”.
Adesão de
estados e municípios
O dirigente da
CNTSS-CUT, no entanto, chama a atenção para um ponto importante do texto
aprovado que fala em “adesão voluntária” de estados e municípios. Isso
significa que a resolução não cria automaticamente uma carreira
nacional obrigatória, mas estabelece diretrizes para que os entes federativos
adotem esse modelo.
O passo
seguinte, segundo Mauri, é o de transformar essa conquista em implementação
concreta nos territórios, com pactuação federativa, financiamento adequado a
partir do fundo tripartite e ampla participação dos trabalhadores e
trabalhadoras do SUS.
“Vamos lutar
por sua implementação concreta nos territórios, com pactuação federativa,
financiamento adequado a partir do fundo tripartite e ampla participação dos
trabalhadores e trabalhadoras do SUS. Agora a gente vai correr atrás para
efetivar o fundo tripartite, para poder financiar a carreira no
SUS. Vamos trabalhar agora para os próximos passos”, afirmou.
Reconhecimento
Apesar de a
Resolução não atender a todas as reivindicações da categoria, as diretrizes
apontam para um movimento importante para reconhecer o trabalho desses
trabalhadores, especialmente as mulheres, segundo o dirigente sindical.
“As mulheres
são a grande maioria da categoria. 70% são de mulheres, e que deram suas
vidas durante a pandemia. Muitas tombaram nessa guerra naquele momento e foram
reconhecidas, mas precisam ser reconhecidas profissionalmente durante todo
o ano, durante todo o período da sua vida laboral”, conclui Mauri.
As
principais mudanças previstas na Resolução
·
prioridade para contratação por concurso
público, reduzindo a dependência de terceirizações e vínculos precários;
·
criação de uma carreira multiprofissional única,
reunindo trabalhadores da assistência, vigilância, gestão, pesquisa, ensino e
áreas administrativas do SUS;
·
definição de regras nacionais de progressão e
promoção na carreira, com critérios objetivos;
·
valorização da qualificação profissional, com
avanço funcional ligado a cursos, especializações, residências, mestrado,
doutorado e educação permanente;
·
previsão de remuneração estruturada, incluindo
salário-base, adicional por qualificação e incentivos para atuação em áreas de
difícil provimento;
·
defesa de jornada de 30 horas semanais, pactuada
conforme legislações locais;
·
garantia de mobilidade entre serviços e esferas
do SUS sem perda de direitos;
·
fortalecimento de políticas de saúde e segurança
do trabalhador, incluindo prevenção de assédio e violência no ambiente de
trabalho;
·
criação de mecanismos de financiamento
tripartite (União, estados e municípios) para sustentar a carreira;
·
implantação de avaliações de desempenho anuais
com direito a recurso;
·
adoção de ações de equidade, diversidade e
acessibilidade dentro da carreira pública do SUS.
A resolução
também tenta enfrentar problemas históricos do SUS, como:
·
precarização dos contratos;
·
alta rotatividade de profissionais;
·
desigualdade salarial entre regiões;
·
dificuldade de fixar trabalhadores em áreas
periféricas e interioranas;
·
falta de plano nacional de carreira.
Fonte:https://www.cut.org.br
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